
O físico realmente não mudou muito, talvez o cabelo, um pouco maior, e algumas espinhas novas no rosto, mas nada de muito drástico. Mas por algum motivo, não reconheço nem amenos o meu olhar, não sei quem sou, nem me lembro direito com era antes, mas tenho a plena certeza que não seja nem um pouco parecido com o que encaro no espelho todos os dias.
Nada já não é o mesmo, e que seja diferente, mudanças fazem bem, mas já não sei mais quem sou, o que sou, onde estou, e quem sabe se para algum lugar eu vou. Perguntas que me faço a todo tempo, e sem respostas, apenas um vazio, que descobri aqui, e que não consigo preencher, nem com o tempo, muito menos com sentimentos.
É uma necessidade de algo, é o querer alguma coisa, a saudade de alguém, e não saber o que é tudo isso no final das contas, conseguir o que deseja, mas não ser aquilo que você precisa. É ter os olhos tão pesados, mas ao fecha-los, não torna tudo melhor como você pensou que ia acontecer.
Ver-me no espelho, é o verdadeiro conflito, da existência, perdido no espaço e no tempo, ser mais algum, e se questionar, se ao cruzar a porta alguém sentiria sua falta, por que você sente saudades de alguém, que está ali, mas não como você gostaria que estivesse.
A partir dai você se torna o egoísta, e se enoja de si mesmo, pois seus desejos envolvem mais o seu bem estar do que o de outro, não sei quando e como me tornei o que mais desprezo, mas é isso que vejo no reflexo.
E eu busco, me busco, te busco, e descubro que não saio do lugar, que há varias partes de mim, espalhado por todo o meu caminho, e me perdi de mim mesmo, de você, dela, e talvez também dele. Apenas fragmentos, onde me machuquei, onde fui feliz, não quiseram seguir.
Agora no espelho, não vejo nada além do físico, enquanto os olhos buscam mais, procuram e se perdem, em mim, no vazio que aqui se formou.
E para o meu reflexo no espelho, peço socorro.