
Olho minhas mãos, e vejo nesse espaço entre cada dedo, a saudade de você me faz, o vazio que ficou depois de tudo. Pois nesses espaços dessa minha mão, se encaixavam a sua tão perfeitamente. E agora esse vão, só me fazem lembrar você.

Na entra, o Homem da Doceria
Deu-me um saco de pipoca.
Em meu estômago havia um buraco,
Mas eu não tinha fome de comida
Eu tinha fome de saudade,
Fome de vida.
E o palhaço me ofereceu um sorriso,
Eu não aceitei,
Esqueci-me de como era saborear tal gesto.
O Mágico me ofereceu uma flor,
Eu recusei.
Parei de gostar de rosas
Quando descobri que um dia todas murcham,
Como também não acredito
Em mágica.
O Malabarista me entregou o equilíbrio
Em uma caixa com um laço,
O devolvi.
Já havia caído á muito tempo,
Para quem estava no chão
O equilíbrio era dispensável.
Então o trapezista quis me ensinar a voar,
Agradeci, mas não.
Tinha medo de ir muito além
E o tombo ser maior.
Dentro de cada minuto
Sobre aquela lona,
Tentei encontrar naquele picadeiro,
Ou naquela noite
Um pedaço de mim
A muito que se perderá,
Mas quando a criança não vê mais encanto no Circo
Não vê mais encanto na vida.